• Rafael Gloria

Vastos espaços vazios


Não sei se a leitora, ou o leitor, já teve essa experiência de ver um local se modificando. Vou partir do pressuposto que sim. Um lugar é atravessado por todas essas “rugas” do tempo, uma rua, uma cidade, um estado, um país...Mas, aqui, quero me referir a um espaço menor e, por isso, mais “próprio”: um apartamento.


Um apartamento é, de certa forma, uma representação de nossas características. O modo como o organizamos - ou não organizamos - pode dizer muito da nossa personalidade. Se limpamos frequentemente, se não damos nenhuma bola para aquela parede mal pintada, a fiação torta, o móvel velho, plantas, quadros...


Um lugar conta também a nossa história, ou uma história que existiu por um tempo. A história de um casal que foi morar junto e se afastou em um apartamento grande. A história de uma pessoa de trinta anos que foi morar sozinha pela primeira vez na vida e se encontra meio perdida.


É uma transição importante, queira ou não, a capacidade de se ver em um local dividindo a vida com alguém e isso acabar - e ter que fazer esse local, e você, se modificar mais uma vez. E esperar pela janela do tempo, observando um vasto vazio: uma história indo embora enquanto outra começa, devagar, sem surpresas, ou possibilidades.

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