• Rafael Gloria

Vastos espaços vazios


Não sei se a leitora, ou o leitor, já teve essa experiência de ver um local se modificando. Vou partir do pressuposto que sim. Um lugar é atravessado por todas essas “rugas” do tempo, uma rua, uma cidade, um estado, um país...Mas, aqui, quero me referir a um espaço menor e, por isso, mais “próprio”: um apartamento.


Um apartamento é, de certa forma, uma representação de nossas características. O modo como o organizamos - ou não organizamos - pode dizer muito da nossa personalidade. Se limpamos frequentemente, se não damos nenhuma bola para aquela parede mal pintada, a fiação torta, o móvel velho, plantas, quadros...


Um lugar conta também a nossa história, ou uma história que existiu por um tempo. A história de um casal que foi morar junto e se afastou em um apartamento grande. A história de uma pessoa de trinta anos que foi morar sozinha pela primeira vez na vida e se encontra meio perdida.


É uma transição importante, queira ou não, a capacidade de se ver em um local dividindo a vida com alguém e isso acabar - e ter que fazer esse local, e você, se modificar mais uma vez. E esperar pela janela do tempo, observando um vasto vazio: uma história indo embora enquanto outra começa, devagar, sem surpresas, ou possibilidades.

108 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Desde os meus 31 anos venho publicando nas minhas redes sociais uma lista de pensamentos avulsos. Eis a de 34 anos. 1 - essa é a quarta vez que faço isso 2 - continuo gostando de envelhecer 3 - aprend

Recebi uma mensagem que dizia “Posso te ligar?”. Assim, seco, direto. Não visualizei, mas fiquei com ela trancada na garganta o dia todo. O que me preocupa são as possibilidades. É a indagação, o sent

Eu te encontrei por volta da uma da tarde, você estava cansada, sentada perto do colégio onde ia voltar a estudar. Você me esperou achando que a gente poderia conversar mais profundamente, por um temp